Produtividade e Processos

IA no setor financeiro: Anbima cria índice de uso entre empresas

A Anbima criou um índice para medir como empresas do setor financeiro adotam IA, oferecendo benchmarks de produtividade e governança.

Camila Nogueira
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IA no setor financeiro: Anbima cria índice de uso entre empresas

Em meio a uma onda de eficiência impulsionada por IA, a Anbima anunciou a criação de um índice para medir o uso de IA entre empresas do setor financeiro. A ideia é simples: transformar dados em um mapa de produtividade, mostrando onde as organizações já estão usando IA para agilizar processos, reduzir custos e reforçar compliance.

O índice não funciona como uma solução tecnológica por si só, mas como uma ferramenta de gestão. Empresas podem comparar seu estágio de adoção com benchmarks do setor e acompanhar a evolução ao longo do tempo. A promessa é clara: transformar dados de uso de IA em decisões de investimento em tecnologia e em replanejamento de processos.

Como funciona o índice

  • Alcance e aplicação: o recorte inclui empresas do setor financeiro, como bancos, corretoras, seguradoras e gestoras de ativos que utilizam IA em operações internas e na relação com clientes.
  • Métricas-chave: o índice agrega fatores como adoção de IA em processos críticos, integração com fontes de dados, governança de modelos, conformidade regulatória e impacto na produtividade.
  • Nível de maturidade: as empresas são avaliadas em estágios desde pilotos até implantação em larga escala, permitindo acompanhar o avanço ao longo do tempo.
  • Atualização: a leitura é periódica, para que investidores, executivos e times de operações possam observar tendências e variações de desempenho.

O que isso significa para empresas

  • Benchmark prático: passar a medir não apenas se há IA, mas como ela está integrada aos fluxos de trabalho. Isso facilita comparações entre pares e identifica oportunidades rápidas de melhoria.
  • Priorização de investimentos: ao ver onde a IA gera maior impacto — tempo de processamento, precisão de decisões, atendimento a clientes — é possível direcionar orçamento e recursos com mais precisão.
  • Governança de dados: o índice reforça a importância de dados de qualidade, governança de modelos e controles de risco, temas centrais para quem atua no segmento financeiro.
  • Conformidade e risco: com LGPD e normas regulatórias em pauta, o índice destaca a necessidade de práticas transparentes de uso de IA, auditoria de modelos e rastreabilidade de decisões.

Em termos práticos, gestores podem transformar o que hoje é uma iniciativa isolada em uma pilha de ações coordenadas para escalar IA com segurança.

Impacto prático para o Brasil

No Brasil, empresas que já utilizam IA em operações como onboarding de clientes, detecção de fraudes, automação de atendimento e gerenciamento de risco podem se beneficiar do comparativo oferecido pelo índice. Além de acelerar a transformação digital, o movimento ajuda a criar uma linguagem comum de maturidade entre instituições, o que facilita parcerias, compras de tecnologia e compartilhamento de melhores práticas.

E há um ganho indireto importante: maior transparência para acionistas e clientes sobre como as decisões estão sendo tomadas com IA, dentro dos parâmetros de conformidade e governança exigidos pela indústria.

Como empreendedores podem aplicar

  • Mapear processos com maior potencial de ganho: identifique ciclos curtos que podem ser automatizados ou aprimorados com IA.
  • Estabelecer metas claras de curto e médio prazo: defina o que significa melhoria de produtividade, tempo de resposta ou qualidade de decisão em termos mensuráveis.
  • Criar um comitê de IA: envolva áreas de tecnologia, dados, risco e operações para acompanhar iniciativas, custos e resultados.
  • Investir em dados de qualidade: políticas de dados, governança e catalogação de fontes são pré-requisitos para qualquer ganho real.
  • Ajustar a governança de modelos: tenha planos de auditoria, validação e rastreabilidade para evitar vieses e garantir conformidade.

Olhando adiante

A adoção de IA não é apenas uma questão de tecnologia, mas de como as organizações reestruturam processos para trabalhar com dados de forma confiável. Com o índice da Anbima, empresas do setor financeiro ganham uma bússola para priorizar iniciativas, testar hipóteses de melhoria e escalar ganhos de produtividade de modo responsável.

Para os empresários brasileiros, o caminho é claro: alinhar IA aos objetivos de negócio, investir em dados e governança, e usar benchmarks para conduzir decisões de alocação de recursos. Quem já avançou nessa trilha tende a observar ganhos de eficiência, clientes mais satisfeitos e operações mais ágeis.

Camila Nogueira

Editora de estratégia. Curadoria e síntese de tendências, execução e eficiência para líderes e donos de negócio.

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